Author: Carlos Muller
Date: 29 de julho de 2021
Âncoras: entenda como escolher a ideal para o seu barco

As âncoras, comumente chamadas de “ferros” são peças de aço de forma especial e com um peso adequado ao deslocamento das embarcações que desempenham o importante papel de mantê-las firmes em um fundeadouro longe de pedras, arrebentações ou outros perigos.

Os ferros se enterram no leito do mar para segurar um barco em determinada posição. Quando o objeto penetra na superfície do leito do mar, a sucção criada pelo fundo mar somada ao peso da própria âncora e o material acima dela (a amarra) criam uma resistência. Quando o barco puxa pela amarra, a âncora tende a se enterrar mais criando uma resistência ainda maior.

Esta resistência é chamada de “poder de unhar”(capacidade de segurar) e em uma âncora moderna se estima que essa fixação seja entre 10 a 200 vezes o seu peso em fundos de areia.

 

Quais as características de uma boa âncora

Uma âncora, idealmente, deve possuir as seguintes características:

  • Poder ser largada rapidamente e reposicionada se o vento e a corrente se modificarem
  • Segurar bem em todos os tipos de fundo: areia, lodo, cascalho, pedras, corais…
  • Resistir a elevados esforços em qualquer parte da sua estrutura
  • Poder ser solta do fundo com facilidade e sem avarias
  • Poder ser guardada adequadamente sobre o convés, em um paiol ou mesmo em um escovem

Nem sempre será possível encontrar a ideal, que contemple todas essas características. Mas, cada uma tem suas vantagens e desvantagens e cabe entender o que é melhor para a sua embarcação e seu estilo de navegação.

O primeiro pensando que se tem é que quanto maior a âncora melhor. Porém, deve se respeitar uma certa proporcionalidade entre tamanho (peso) e deslocamento do barco. O principal é que ela tenha “poder de unhar” de forma eficaz a fim de poder suportar os esforços derivados da ação das forças da natureza sobre o barco.

O vento é o principal fator de cuidado, pois suas alterações podem exercer grandes variações de força sobre o barco que influenciarão na eficácia da âncora. Como não é viável ter diversos ferros a disposição para usar, se indica que ele segure a embarcação com ventos de até 42 nós.

 

Tipos de âncoras

Danforth: É mais eficiente (maior capacidade de fixação em relação ao peso). Também é fabricada em liga de alumínio e magnésio, que é mais leve, o que facilita o manuseio.

Bruce: Devido às dimensões reduzidas e à ausência de partes móveis, é a mais fácil de guardar a bordo. Unha rapidamente ao tocar o solo e é a mais resistente em fundos de pedras.

Arado: Conhecida também por CQR, tem capacidade de fixação maior que a Bruce, porém é mais difícil de guardar a bordo.

Delta: Lançada em 1993 pela inglesa Simpson Lawrence, é um misto entre a bruce e a arado. Segundo o fabricante, tem poder de fixação superior a ambas.

Rocna: No Brasil, é chamada de roca ou roka e, copiada da original canadense, é fabricada em Curitiba.

Almirantado: A mais tradicional de todas, ainda é uma âncora eficiente, porém, muito difícil de guardar a bordo. Para facilitar, alguns fabricantes oferecem modelos com cepo (cuja função é posicionar a âncora de maneira que as patas penetrem no solo) desmontável. Em fundos de algas, é a melhor.

Patente: Utilizada em navios, por conta da facilidade de manuseio, mas sua eficiência é péssima (cerca de um décimo de uma boa danforth) e, portanto, não deve ser utilizada num barco de lazer.

Garateia: Utilizada para ancoragem temporária em fundos de pedras, é muito popular entre os pescadores.

No que diz respeito aos barcos de lazer, o material mais utilizado hoje em dia é o aço (inox ou galvanizado a fogo) e o tipo preferido no Brasil tem sido o bruce, mais simples que o tradicional almirantado ou mesmo o danforth, que era o mais popular até pouco tempo atrás.

Fonte: Livro Navegar é Fácil de Geral Luiz Miranda de Barros

 

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